Arte Fresca
Uma inesperada tubulação dourada percorre as paredes de três andares da unidade paulistana do Centro Cultural Banco do Brasil. Pelo estilo e tonalidade, o sistema hidráulico parece estar integrado ao prédio da instituição. Trata-se de “ Pelos Tubos” , pintura assinada por Lia Chaia que remete aos preceitos do “site specific” ou sítio específico – tendência da arte contemporânea onde a obra ou instalação é criada exclusivamente para o espaço expositivo, dialogando com sua estrutura. O trabalho integra “Nova Arte Nova”, mostra sediada no CCBB de São Paulo até 5 de abril. O curador Paulo Venâncio Filho reuniu 63 artistas nacionais, provenientes de 14 estados, para compor um mosaico da diversidade de estilos, suportes e conteúdos que caracterizam a produção da atualidade. São criadores jovens, a maioria na faixa dos 30 anos, que levam frescor ao circuito de artes tanto no Brasil como no panorama internacional. Sem hierarquias ou rotulações prematuras, a exposição é desprovida de pretensões definitivas e vai ao encontro da necessidade dos artistas novos de terem suas criações expostas em uma plataforma de alta visibilidade para o grande público.
Cerca de 80 trabalhos estão distribuídos pelos três andares, além do térreo e subsolo, sem agrupamentos determinados por estéticas, conteúdos ou mídias. Dessa forma, o público pode realizar comparações encontrando similaridades e divergências ou aferir que a multiplicidade é mesmo o pivô onde se apoia a produção contemporânea. É assim, por exemplo, no terceiro andar onde se encontra a série “Zôo“ de Sara Ramos, fotografias de animais urbanos e artificiais retratados em cidades diversas. Aqui também situa-se “ Parker” de Otávio Schipper - composição de delicadas abstrações de tons azulados em aquarela. “ O circo dos sonhos” de Gustavo Speridião é um exemplo de como essa geração reinventa os movimentos estéticos do passado, dadaísmo neste caso, para forjar seus próprios caminhos.
Marilá Dardot, artista que há dois anos expôs a instalação “Sob Neblina” com repercussão positiva na mídia, volta ao CCBB paulistano com “Glossário/ Para viver na cidade”. Exibido no segundo andar, é um conjunto de fotografias de letreiros e sinalizações de rua com palavras otimistas, de A a Z – contra a crise, arte. No espaço interno do pavimento, o visitante se depara, logo ao entrar, com “ Desenhos com rejunte” de Bianca Tomasseli. Um muro branco que interfere no ambiente e altera a arquitetura da sala - mais um exemplar do “site specific” na exposição. “ Entrevista com o verde” de Carlos Contente utiliza traços infantis para reproduzir uma série de quadros com um divertido “talk-show” onde o próprio artista entrevista, com diálogos bem-humorados, a cor verde. Henrique Oliveira criou “ Coisa”, escultura que provoca, ao mesmo tempo, curiosidade e repulsa. “Gala” de Tatiana Blass, como contraponto, sugere brilho e beleza em acrílico sobre tecido. Fabiano Gonper, por sua vez, participa da mostra com “Escultura Plana”,escultura em mármore disposta no chão e “Pintura variável” , quadro de superfície reflexiva com moldura típica de obras clássicas.
No primeiro andar, os visitantes são recepcionados com a produção de Marcelo Sola. São desenhos e rabiscos que remetem às pichações de rua ou aos rabiscos em cadernos. Outro destaque é “Híbrido” de Julia Cseko. Trata-se de uma figura antropomorfa onde os pés são de animais aparentemente fantasiosos vestindo uma jaqueta perfecto – mais uma bem-vinda dose de humor na mostra. Também aqui estão interessantes semelhanças encontradas por Gaio na série “Duplos” - a disposição de livros em um móvel se assemelha inusitadamente à fachada de prédios de uma cidade desconhecida. Em outra imagem, um templo religioso se compara a uma casa de extrema rusticidade. Um dos principais destaques nesse setor é a instalação de Maria Lynch – um jardim de cores vibrantes e tecidos diversificados proporciona uma atmosfera sensorial e lúdica, convidando o visitante a um breve escape da vida real. Interessante também o conflito entre madeira e vidro proposto Marcelo Silveira em “Arquitetura do Interior”.
Outra conjugação de materiais improváveis acontece no térreo do CCBB. “Dublia Sculpture” de Alexandre da Cunha são aros de puro cimento “recheados” de espuma. “Multi functional comodare” de Daniel Acosta, objeto que se assemelha a uma cama circundada por estandes de madeira, conquista a interatividade dos visitantes. O subsolo foi dedicado majoritariamente aos registros em vídeo. Ronald Duarte, por exemplo, gravou “ Nimbo/Oxalá” - uma performance de interferência urbana com extintores de incêndio. O vídeo “ Tro-catroca” de Daniel Toledo traz homens e mulheres que trocam de roupa alternadamente, propondo um interessante jogo de identidade sexual. Destaque maior do subsolo é o lírico “ Ex-cárcere” de Celina Portella e Elisa Pessoa. Um registro em vídeo que agrega vídeo, artes-plásticas e movimentos de dança em uma única peça.
“ Nova Arte Nova” alia o trabalho apurado da curadoria em apresentar gente nova e talentosa com a organização que privilegia a livre percepção do público em relação ao tema tratado. Não há imposições de ideias ou conclusões fechadas. Dessa forma, a exposição traça um raro e esperado perfil da novíssima geração com um viés sintonizado com a amplidão de conceitos e formas exercidas pelos artistas. A percepção final é de que esses jovens criadores não seguem estéticas padronizadas, suportes consagrados ou discursos unânimes. O que vale para eles é “ diversidade, multiplicidade e heterogeneidade” como apontado pelo curador no folder da exposição. Atributos coincidentes com os tempos atuais onde a velocidade e troca de informações nunca foram tão intensas, acionando um contexto onde a expressão individual se relaciona de maneira intrínseca ao aspecto multi-facetado do mundo.
Marilá Dardot, artista que há dois anos expôs a instalação “Sob Neblina” com repercussão positiva na mídia, volta ao CCBB paulistano com “Glossário/ Para viver na cidade”. Exibido no segundo andar, é um conjunto de fotografias de letreiros e sinalizações de rua com palavras otimistas, de A a Z – contra a crise, arte. No espaço interno do pavimento, o visitante se depara, logo ao entrar, com “ Desenhos com rejunte” de Bianca Tomasseli. Um muro branco que interfere no ambiente e altera a arquitetura da sala - mais um exemplar do “site specific” na exposição. “ Entrevista com o verde” de Carlos Contente utiliza traços infantis para reproduzir uma série de quadros com um divertido “talk-show” onde o próprio artista entrevista, com diálogos bem-humorados, a cor verde. Henrique Oliveira criou “ Coisa”, escultura que provoca, ao mesmo tempo, curiosidade e repulsa. “Gala” de Tatiana Blass, como contraponto, sugere brilho e beleza em acrílico sobre tecido. Fabiano Gonper, por sua vez, participa da mostra com “Escultura Plana”,escultura em mármore disposta no chão e “Pintura variável” , quadro de superfície reflexiva com moldura típica de obras clássicas.
No primeiro andar, os visitantes são recepcionados com a produção de Marcelo Sola. São desenhos e rabiscos que remetem às pichações de rua ou aos rabiscos em cadernos. Outro destaque é “Híbrido” de Julia Cseko. Trata-se de uma figura antropomorfa onde os pés são de animais aparentemente fantasiosos vestindo uma jaqueta perfecto – mais uma bem-vinda dose de humor na mostra. Também aqui estão interessantes semelhanças encontradas por Gaio na série “Duplos” - a disposição de livros em um móvel se assemelha inusitadamente à fachada de prédios de uma cidade desconhecida. Em outra imagem, um templo religioso se compara a uma casa de extrema rusticidade. Um dos principais destaques nesse setor é a instalação de Maria Lynch – um jardim de cores vibrantes e tecidos diversificados proporciona uma atmosfera sensorial e lúdica, convidando o visitante a um breve escape da vida real. Interessante também o conflito entre madeira e vidro proposto Marcelo Silveira em “Arquitetura do Interior”.
Outra conjugação de materiais improváveis acontece no térreo do CCBB. “Dublia Sculpture” de Alexandre da Cunha são aros de puro cimento “recheados” de espuma. “Multi functional comodare” de Daniel Acosta, objeto que se assemelha a uma cama circundada por estandes de madeira, conquista a interatividade dos visitantes. O subsolo foi dedicado majoritariamente aos registros em vídeo. Ronald Duarte, por exemplo, gravou “ Nimbo/Oxalá” - uma performance de interferência urbana com extintores de incêndio. O vídeo “ Tro-catroca” de Daniel Toledo traz homens e mulheres que trocam de roupa alternadamente, propondo um interessante jogo de identidade sexual. Destaque maior do subsolo é o lírico “ Ex-cárcere” de Celina Portella e Elisa Pessoa. Um registro em vídeo que agrega vídeo, artes-plásticas e movimentos de dança em uma única peça.
“ Nova Arte Nova” alia o trabalho apurado da curadoria em apresentar gente nova e talentosa com a organização que privilegia a livre percepção do público em relação ao tema tratado. Não há imposições de ideias ou conclusões fechadas. Dessa forma, a exposição traça um raro e esperado perfil da novíssima geração com um viés sintonizado com a amplidão de conceitos e formas exercidas pelos artistas. A percepção final é de que esses jovens criadores não seguem estéticas padronizadas, suportes consagrados ou discursos unânimes. O que vale para eles é “ diversidade, multiplicidade e heterogeneidade” como apontado pelo curador no folder da exposição. Atributos coincidentes com os tempos atuais onde a velocidade e troca de informações nunca foram tão intensas, acionando um contexto onde a expressão individual se relaciona de maneira intrínseca ao aspecto multi-facetado do mundo.